quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Problemas técnicos impedem últimas apresentações no Vila


O Núcleo de Produção Os 50'tões informa que, por problemas técnicos, as últimas apresentações da temporada do espetáculo Atire a Primeira Pedra no Cabaré dos Novos, do Teatro Vila Velha, foram canceladas. Desta forma, não haverá espetáculo nos dias 26 e 27 de agosto. 

O grupo lamenta profundamente os possíveis transtornos e agradece a compreensão e colaboração de toda equipe do Teatro Vila Velha. Os 50'tões também pedem sinceras desculpas ao público, aos apoiadores da temporada - Gráfica Idealógica, Salão de Beleza Deo Carvalho, Academia Espaço 10, Mamluz Entretenimento,  Teatro Castro Alves e Alô Pãozinho e aos parceiros Jornal A Tarde e Correio da Bahia. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Novas Artes para Atire no Cabaré dos Novos!


Cartaz foi totalmente reformulado para a temporada no Vila.

A temporada de Atire no Cabaré do Vila Velha trouxe mudanças não só para a concepção cênica do espetáculo, que agora acontece bem pertinho do público, como também para a arte gráfica elaborada para cartazes, panfletos e anúncios. Desta vez, uma foto feita por Danilo Canguçu, durante a temporada de maio no Teatro Martim Gonçalves, foi escolhida como base para o desenvolvimento da nova arte pelo ator, produtor e atual designer gráfico do grupo, Joedson Silva. Nesta sexta versão, pode-se conferir um recorde do cenário, figurino e elenco original da montagem.

Panfleto da Temporada de Estréia no Martim Gonçalves.













Desde a estréia, em novembro do ano passado, as peças vêm passando por pequenas alterações. Para traduzir cada vez mais a estética do espetáculo, novas cores e elementos foram combinados  à concepção inicial, elaborada pelo designer Agamenon Abreu para a primeira temporada.


Você já foi à temporada do Vila, velho?

Atire a Primeira Pedra
Uma comédia da vida como ela é...
Quando? De 12 a 27 de agosto*, quartas e quintas, às 20h.
Onde? Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha.
Ingressos? r$ 14 (inteira) e r$ 7 (meia).



Teatro Vila Velha - Vá ao site do Vila, velho!
Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público. Campo Grande. Salvador - Bahia. Telefone: (71) 3083.4600.

 Produção Os 50'tões: (71) 8807-2778.

*No dia 20, por conta do evento "20 anos sem Raul", não haverá espetáculo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Atire a Primeira Pedra participa do 5º Aldeia do Velho Chico (PE)

Na próxima sexta-feira (dia 7), o espetáculo Atire a Primeira Pedra marcará presença na 5ª edição do Aldeia do Velho Chico – Festival de Artes do Vale do São Francisco, realizada pelo departamento nacional do SESC, em Petrolina (PE). Para a apresentação, que será no Teatro do SESC Petrolina, às 20:30h, uma equipe de 17 pessoas, sendo 15 atores e dois técnicos, responsáveis pela operação de luz e som, chegará à cidade até a quinta-feira (6) pela manhã. Além dos atores da Trupe, o público poderá conferir boa parte do cenário original do espetáculo, que também será levado especialmente para a sessão.

O Aldeia do Velho Chico, que este ano acontece de 31 de julho a 15 de agosto, é um dos braços do Palco Giratório, considerado o maior projeto de difusão das artes cênicas no Brasil. Há cinco anos, o Festival reúne várias expressões artísticas numa programação que engloba, além de teatro, dança, música, artes plásticas, cinema, oficinas e literatura.

Serviço
O que? Atire a Primeira Pedra.
Quando? Dia 07 de agosto (sexta-feira).
Que horas? 20:30h.
Onde? Teatro do SESC Petrolina.
Ingressos? r$ 10 (inteira), r$ 5 (estudantes, comerciários e dependentes) e r$ 20 (passaporte com 5 ingressos).

Para mais informações sobre o Aldeia do Velho Chico, visite o site do Festival.

SESC Petrolina - Visite o site
Rua Pacifico da Luz, nº 618. Petrolina - PE.
Informções: +55 (87) 3866.7454

sábado, 1 de agosto de 2009

Reserve seu ingresso no Vila, velho!

Para quem não sabe, o Teatro Vila Velha faz reserva gratuita de ingressos por telefone. Assim, você já pode sair de casa com o programa garantido! Para reservar, é só ligar para a bilheteria, aberta a partir das 14h. As reservas são feitas no dia e garantidas até meia hora antes do início do espetáculo.

domingo, 26 de julho de 2009

Atire a Primeira Pedra no Cabaré do Vila!

Está confirmada a temporada de "Atire a Primeira Pedra" no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha. O espetáculo que, pela primeira vez, poderá ser visto fora da estrutura de palco italiano, estréia no próximo dia 12 e segue em cartaz, com mais quatro apresentações, até o fim de agosto*.


Atire a Primeira Pedra
Uma comédia da vida como ela é...
Quando? De 12 a 27 de agosto*, quartas e quintas, às 20h.
Onde? Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha.
Ingressos? r$ 14 (inteira) e r$ 7 (meia).

Teatro Vila Velha - Vá ao site do Vila, velho!
Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público. Campo Grande. Salvador - Bahia.
Telefone: (71) 3083.4600

*Dias 12, 13, 19, 26 e 27 de agosto. No dia 20, por conta do evento "20 anos sem Raul", não haverá espetáculo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Promoção Temporada Jorge Amado: pague meia na sexta!


O panfleto de divulgação da temporada do Jorge Amado vale meia entrada nas sextas-feiras. Para aproveitar o bônus, apresente o panfleto na bilheteria do teatro, quando for comprar o seu ingresso.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Atire a Primeira Pedra reestréia nesta sexta


A nova temporada de Atire a Primeira Pedra iniciará nesta sexta-feira, dia 8, no Teatro Martim Gonçalves. Por problemas técnicos, a estréia prevista para a quinta-feira (7) teve que ser adiada em um dia. A partir da próxima semana, a temporada segue a programação normal, de quinta a domingo, sempre às 20 h, até o dia 24.

Agende-se!
Espetáculo nos dias 8, 9, 10, 14, 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de maio. 

domingo, 3 de maio de 2009

Os 50'tões voltam ao Martim!


Nova tempora de Atire a Primeira Pedra 
Teatro Martim Gonçalves
De 7 a 24 de maio, quinta à domingo, às 20h.
Ingressos: r$ 12 (inteira), r$ 6 (meia)



quinta-feira, 23 de abril de 2009

Temporada Sesc-Senac: pague meia na quinta!


O panfleto de divulgação da Temporada do Sesc-Senac Pelourinho vale meia entrada nas quinta-feiras


Aproveite o bônus apresentando o panfleto na bilheteria do teatro, quando for comprar o seu ingresso. 

sábado, 11 de abril de 2009

50'tões Produzem VT para Temporada de Abril




VT da Temporada de Abril do Espetáculo
Atire a Primeira Pedra

Os 50'tões em Abril no SESC-SENAC Pelourinho


ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Teatro SESC-SENAC Pelourinho
De 16/04 a 02/05
Quintas, sextas e sábados*,
às 20h.
R$ 10,00 (inteira)
R$ 5,00 (meia)**

*Dias 16, 17, 18, 23, 24, 25 e 30 de abril ; 1 e 2 de maio de 2009.
** Meia entrada extensiva à classe artística mediante comprovação profissional (DRT).

Ganhe 50% de desconto no Estacionamento 14M,
carimbando seu ticket na bilheteira do teatro.



SESC-SENAC Pelourinho
Largo do Pelourinho, 19. Centro. Salvador - Bahia.
Informações: 3324-4520.

sábado, 7 de março de 2009

Atire a Primeira Pedra em março no Xisto Bahia


Quintas e sextas de março* às 20h.
R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia)

*Dias 5, 6, 12, 13, 19, 2o, 26 e 27 de março de 2009.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sai lista de indicados ao Prêmio Braskem de Teatro


A lista dos indicados ao Prêmio Braskem de Teatro 2008 acaba de ser divulgada. Realizada há 16 anos, a premiação que destaca anualmente as melhores produções cênicas baianas reúne dez categorias: melhor espetáculo, melhor direção, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, melhor texto, categoria especial, revelação e melhor espetáculo infanto-juvenil. 

A comissão julgadora, formada por Paulo Cunha, Hebe Alves, Adelice Souza, Vadinha Moura, Beth Rangel, Gilson Rodrigues e Hirton Fernandes, avaliou 35 espetáculos – 31 adultos e 4 infantis. Os vencedores só serão conhecidos durante cerimônia de premiação, prevista para o mês de abril, no Teatro Castro Alves.
 
Confira os indicados:

MELHOR ESPETÁCULO

Policarpo Quaresma 
O Olhar inventa o mundo 
Os Sonhos de Segismundo 
Atire a Primeira Pedra

MELHOR DIREÇÃO

Luiz Marfuz (Policarpo Quaresma) 
Felipe de Assis (O Olhar Inventa o Mundo) 
Patrick Campbell (Labirintos - Um Espetáculo Itinerante)
Carol Vieira (Memória Ferida)

MELHOR ATOR

Frank Menezes (O Indignado) 
Hilton Cobra (Policarpo Quaresma) 
Urias Lima (Um Caso de Língua) 
Ely Izidoro (Teodorico Majestade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Armindo Bião (O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru) 
Gordo Neto (Memória Ferida) 
Cláudio Machado (Labirintos - Um Espetáculo Itinerante) 
Luiz Pepeu (O Otário que Sonhava Acordado)

MELHOR ATRIZ

Sibelle Lelis (Memória Ferida) 
Cláudia di Moura (Policarpo Quaresma) 
Luiza Proserpio (Salomé)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Diana Ramos (Os Sonhos de Segismundo) 
Elaine Cardim (Policarpo Quaresma) 
Heloísa Jorge (A Farsa da Boa Preguiça) 
Manhã Ortiz (O Otário que Sonhava Acordado) 

MELHOR TEXTO

Memória Ferida  - Autor: Dinah Pereira
Teodorico Majestade - Autor: Romualdo Lisboa
Policarpo Quaresma (adaptação para teatro da obra homônima de Lima Barreto) - Autor: Marcos Barbosa
 
CATEGORIA ESPECIAL

Rino Carvalho (figurino - O Olhar Inventa o Mundo) 
Miniusina de Criação (cenografia - O Olhar Inventa o Mundo) 
Fábio Espírito Santo (iluminação dos espetáculos O Olhar Inventa o Mundo, Batata! e Casa Número Nada) 
Luciano Salvador Bahia (direção musical e trilha sonora - Atire a Primeira Pedra)

REVELAÇÃO

Rodrigo Frota (cenografia dos espetáculos Policarpo Quaresma, Atire a Primeira Pedra, Álbum de Família e Salomé) 
Leandro Villa (ator - Labirintos: Um espetáculo Itinerante) 
Milena Flick (atriz - Atire a Primeira Pedra) 
Heraldo Souza (composição musical e arranjos - Os Prequetés) 
 
MELHOR ESPETÁCULO INFANTO-JUVENIL

Os Prequetés 
Dia de Circo 
A Gema do Ovo da Ema


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Jacques de Beauvoir comenta Atire a Primeira Pedra

Jacques de Beauvoir
Oh! Que delícia de peça

Domingo passado fui ao Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA, Canela) e fiquei duplamente feliz de encontrar minha querida escola completamente repaginada e assistir a uma montagem de graduação, apaixonante. No palco, Atire a primeira pedra, baseada em contos da coluna A vida como ela é..., publicados no Jornal Última Hora, durante o ano de 1961, pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. A direção de Luiz Marfuz é sempre muito boa e para esse trabalho rodriguiano, ele pôde realmente mostrar aquele seu jeito "descaradamente" inocente e às vezes mordaz na condução de um trabalho do autor que gostava de passear pela tragicomédia da vida humana em seu cotidiano. O texto muito bem arquiteto em adaptação de Cleise Mendes e Fernando Santana prioriza a ótica feminina no universo de Nelson e retrata uma época marcada pela lei patriarcal e a decadência da classe média - amarrados em dez cenas onde as mulheres explodem desejos reprimidos e fazem valer sua vontade, pagando por isso preços altos (essa frase final foi tirada do release). A montagem atualiza o brega e o kitsch, ingredientes que as pessoas fazem questão de abominar, mas que na verdade, adoram. A "brincadeira" mostrada no palco está isenta de preconceitos, rodeios, sem máscaras. Como o diabo gosta e nós também. O elenco (que sabe o que está fazendo) brinca de tragédia grega (coro), teatro de revista, melodrama, humorístico de TV. Tudo compactuado com a equipe entrosada e que sabe dá o tom para um bom espetáculo: coreografias (de Marilza Oliveira que compartilha com a platéia o sabor da curtição), Iluminação (Fernanda Paquelet), figurino hilário (Miguel Carvalho), cenografia (Rodrigo Frota), maquiagem (Roberto Laplane), preparação de voz (excelente trabalho de Iami Rebouças), preparação corporal (Tânia Soares), direção musical (Luciano Bahia) e preparação de canto (Marcelo Jardim). Espetáculo à parte - os jovens e maravilhosos atores do grupo Os 50'Tões, formado por estudantes que ingressaram na Escola de Teatro da UFBA em 2006 e agora realizam sua montagem de formatura no Bacharelato de Interpretação Teatral. O grupo - que já apresentou em Salvador, Larilará Macunaíma Saravá, direção de Hebe Alves, Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat, dirigido por Daniel Marques e Uma Visita à Casa de Bonecas, direção de Carol Vieira e Iami Rebouças - é um rebanho de talento: canta, dança, interpreta e se entrega de corpo e alma. Exatamente por isso e por amar o teatro, 50´Tões celebra com Atire a primeira pedra os 50 anos da Escola de Teatro. Fica em cartaz somente hoje e amanhã, às 20h. A entrada e franca. Vá correndo pegar sua senha e bom espetáculo!

Texto do jornalista e colunista Jacques de Beauvoir, publicado na coluna de arte do site Bahia Vitrine no dia 12/11/2008. Para conferir, clique aqui.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Marcelo Benigno comenta Atire a Primeira Pedra


ESPETÁCULO DE FORMATURA: Os Cinquentões da Escola de Teatro e Nelson Rodrigues

De cinta liga e salto alto!
Atire a primeira pedra quem não gozou com os Cinquentões!
Espetáculo de Formatura da Escola de Teatro, baseado nos contos de Nelson Rodrigues, surpreende pela qualidade e profissionalismo.


Assisti hoje ao espetáculo de Formatura dos Cinquentões, grupo de alunos do curso Interpretação, da Escola de Teatro da Ufba. O autor escolhido foi o nosso Nelson Rodrigues, em adaptações de alguns de seus contos feitas pelas mãos sábias da dramaturga e professora Cleise Mendes e por Fernando Santana, aluno formando desta turma.Logo na primeira impressão notamos uma produção muito bem cuidada, desde o material de divulgação, às camisas e programas do espetáculo.

É de se admirar a qualidade de todo o conjunto da obra para um resultado de espetáculo produzido como final de curso na Escola. Falo isso porque muitos ainda acham que não se precisa ter um rigor com o resultado de final de curso ou disciplina, como se na vida empenhássemos só 50, 40 ou 20% da nossa força, garra e trabalho. Talvez seja esta uma das poucas qualidades do Módulo ao qual a Escola aderiu.

Ver o resultado daqueles sátiros e bacantes em cena, com tanta qualidade e força, faz qualquer aluno da Escola, ou melhor, ex - aluno, (enfim me formei!) feliz, ou com vontade de entrar em cena e se jogar numa volúpia rodrigueana.

Marfuz acerta mais uma vez, com uma direção que privilegia o que cada ator traz de melhor. Muitos atores se assustam com este diretor-professor pela doçura que trata sua trupe. Estamos mais acostumados com o estereótipo do diretor “cavalo” e mal humorado, que desconta tudo no seu elenco...
Neste desafio de transformar um autor marginalizado em comercial e acessível, o recurso do melodrama caiu como uma luva! As músicas “bregas” e a trilha musical foram um atrativo à parte, salve, salve Luciano Baia, dando ambientação as cenas e identificação ao público, que não se conteve em acompanhar algumas das músicas e aplaudir, várias vezes em cena aberta, a atuação do elenco.

É lindo ver em cena atores cantando e dançando, longe de um realismo patético, com marcações mais televisivas que teatrais, com pausas longas, compenetradas ou exageradas que ainda sobrevoa a Escola de Teatro.

A coreografia de Marilza Oliveira trouxe brilho à encenação, não só quando ela é perceptível como no dançar na cena Veneno, onde Liliana Matos, em ótima performance, flutua com o coro em suavidade, como também nas ações cotidianas marcadinhas, em ações e trocas precisas de adereços e figurinos.

Este universo teatral acaba revelando as aptidões dos atores, que ora dançam, ora cantam afinados, com o sorriso interno e a cara de diva de Marcelo Jardim, ou que se exibem com uma luz quase cinematográfica de Fernanda Paquelet; aos figurinos funcionais e quase típicos de Miguel Carvalho, (as roupas da festa de casamento estão um mimo); os saltos altos e cintas-liga bem cuidados e fundamentais; a maquiagem sempre ótima de Beto Laplane, e os cabelos de Deo Carvalho. A equipe toda é enorme e de primeira linha, e faz jus ao resultado conferido, um luxo necessário, que na realidade é difícil e caro de se achar nas produções baianas.

O Cenário é extremamente funcional, amplo, e o maguenta impera no nosso sangue, com requintes e detalhes como as penteadeiras e seus abajures atrás da cena, as cortinas que dançam a cada momento nas suas transparências e tons rubros, às marcações só com as mesas que se transmutam em várias posições como o Kamasutra, enchendo a imaginação de qualquer mortal mais criativo, ao fio luminoso que demarca o palco, aceso em momentos estratégicos, que nos convidam para um cortezano tinto ou um vermute, nesse bar rodrigueano que todos se mostram.

Haja tabela de Pavis para analisar este espetáculo!

Marfuz foi dosado nas cenas mais picantes, trazendo verossimilhança à cena sem agredir, raro em espetáculos que tocam na sensualidade ou que falam de Nelson.

O único nu é na cena-conto: Noiva da Morte, onde o ator Fernando Santana (Alipinho), despe-se totalmente de costas. A cena teria ganhado mais poesia se fosse feita antes de uma cena tão alegre, pois a magia deste momento foi cortada pelos risos de alguns, na platéia, com a nudez do ator.

Outro ganho da montagem é o trabalho de ator, pois num grupo de 19 atores, com 5 homens e 14 mulheres, elas roubaram mesmo a cena, embora a unidade do elenco é impressionante para um grupo tão distinto.

Não posso deixar de falar das duas conquistenses em cena, Danielle Rosa e Milena Flick, respectivamente representando a mulher mais rodrigueana que conheço e a menina doce que cresce. Ambas estão exuberantes em cena, representando dignamente o artista do interior e o trabalho de grupos de teatro efetivos, além dos impagáveis e timbrados Caliban e Joedson Silva, que arrancaram aplausos (ta vendo, mais aplausos!) em cena aberta, com suas criações.

Acho que tanta qualidade se vê pela dedicação do elenco em ensaios diários e longos, que puderam questionar alguns. Tal disciplina teatral mostra a estudantes de teatro a realidade da profissão. Ora, este estudante não será formado para o mercado de trabalho?! Na Vida como ela é do teatro real, os atores e as montagens profissionais, ou os poucos grupos de teatro, ainda existentes na capital, ensaiam várias vezes, com horários os mais variados e complicados possíveis, fazem produção, figurino, maquiagem, trabalham fora, dão aulas, correm atrás de editais, apoios, público, cachê...

Devemos “formar” este aluno para a realidade que ele enfrentará. Nesse meio artístico e profissional não dá para brincar de ser ator ou artista! Ou sofre agora e percebe que o pau é mais embaixo, ou muda de profissão! E para os mais sonhadores, TV não é teatro!

É estimulante ver jovens tão talentosos, que espero encontrar lutando pelo teatro e mercado baianos, criando ou ingressando em grupos efetivos de teatro, e finalmente, brigando por uma Escola de Teatro mais plural, com espaço para todas as linguagens teatrais.

E um conselho do colega aqui, se joguem nesta produção e entrem e cartaz logo, pelo amor de Dionísio, pois Salvador urge de espetáculos com esse refinamento e qualidade!

Não deixe Nelson morrer nas paredes da academia, traga-o para o meio do povo, da platéia, que se identifica tanto com ele, que aplaudiu a todos vocês, calorosamente, neste dia!

Como Arandir só me resta pedir de cada um, um beijo demorado, pois como a arte reflete o nosso espelho, pude me ver em cada um em cena, e me vi feliz, por ver atores tão empenhados num fazer teatral tão contagiante quanto esse!

Ah, e aproveitem Marfuz, pois em época de besteirol e moda da cultura popular, este encenador ainda conserva a maturidade dos mestres que sabem falar e fazer o que deve, com o tom certo, e não é metido a besta como um monte de artista baiano por ai!

Evoé e merda a todos!
Longa Vida aos Cinquentões!
Viva Nelson Rodrigues, o teatro brasileiro, nordestino, baiano, da capital e do interior!

Salvador 08 de novembro de 2008.

Comentário feito por Marcelo Benigno e publicado em seu blog no dia 09/11/2008. Para conferir, clique aqui.

Marcelo Benigno é ator, arte educador, diretor teatral e coordenador do Grupo Caçuá de Teatro, professor de teatro pela Ufba, artista popular e catinguiero arretado. Hoje, aluno especial de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Ufba.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sobre Nelson Rodrigues


“Quem tem medo de Nelson Rodrigues? Teatrólogo de início saudado como genial e logo contestado, repórter apaixonado por futebol, feroz polemista [...], Nelson Rodrigues é uma esfinge a ser decifrada pelos que queiram entender a cena cultural brasileira de boa parte do século 20.” (Marcos Alvito)

Visto como um devasso por muitos e intitulado “anjo pornográfico” por ele mesmo, Nelson Rodrigues (1912-1980) é considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros. Nascido na cidade do Recife (PE), o quinto filho dos catorze do casal Maria Esther Falcão e Mário Rodrigues, jornalista e ex-deputado federal, mudou-se com a família, para o Rio de Janeiro, quando seu pai passou a ser perseguido politicamente. Aos treze anos, iniciou a sua carreira jornalística como repórter na seção policial do jornal A manhã, fundado pelo seu pai na década de 20.

Escritor e jornalista, Nelson Rodrigues escreveu sua primeira peça, A mulher sem pecado, em 1941. Mas foi com Vestido de noiva, sua segunda peça, em 1943, que o dramaturgo entrou para história do teatro brasileiro, ao substituir o surrado cenário das comédias de costumes pelo espaço amplo dos planos da realidade, da memória e da alucinação. A encenação, assinada pelo polonês Ziembinski no mesmo ano, é considerada por alguns estudiosos como o marco do teatro moderno no Brasil.

A obra de Nelson Rodrigues inclui 17 textos teatrais, além de contos, romances, críticas e crônicas; entre estas as que integram o conjunto intitulado “A vida como ela é...”, fonte de inspiração do espetáculo Atire a primeira pedra. Com linguagem simples e direta, seus textos tratam a obsessividade e o materialismo das personagens com profunda ironia, ao focar o cotidiano trágico e grotesco dos subúrbios e das classes médias brasileiras.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Encontro, Reencontro e Despedida


“Atire a primeira pedra" deixa em cada um de nós o gosto azedinho-doce de uma primavera: a estação, que serve como ponto de chegada e de partida, para Os 50'tões - o grupo de amigos, a trupe de atores. Da caravana, que se formou nos 50 anos da Escola de Teatro da UFBA, poucos se despediram e cinco se somaram ao longo do caminhar, ora lento, ora acelerado demais, dos últimos três anos. Juntos, com muito trabalho, cooperação, paixão, frustração e descobertas, chegamos a Nelson e às suas personagens em carne viva.

“A vida como ela é...” – inquietante, instintiva, sedutora, tragicômica, melodramática, desconcertante e, por vezes, desagradável – apresentada a dezenove jovens atores que se entregam, se perdem e se encontram na complexidade dos homens e mulheres rodrigueanos. Um encontro com a dramaturgia de Nelson, um reencontro com os diretores do primeiro espetáculo da trupe, Luiz Marfuz e Iami Rebouças, com os velhos companheiros do curso de direção, além de outros importantes profissionais e amigos que se juntaram à nossa caravana até chegarmos a este palco.

Nesta noite, subimos mais um degrau da nossa história em busca de nos tornar operários do teatro. É com um pé no sonho e outro no trabalho que apresentamos este espetáculo, nem grande, nem pequeno, nem certo, nem errado. É este o teatro que aprendemos a fazer, com a emoção, a vontade e a fé que trazemos à flor da pele.
Obrigado a todos.

Os 50’tões
Por Ana Paula Brasil

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os Desafios em Adaptar “A vida como ela é...”


Atirar a primeira e todas as pedras na medula do abismo humano. Esse foi um dos maiores desafios em adaptar contos de “A vida como ela é...”. As palavras “farpadas” de Nelson Rodrigues, esse autor, que para mim é o poeta dos abismos, fascinaram-me.

Ao lado da professora Cleise Mendes e com o grande apoio do diretor Luiz Marfuz, fui oportunizado a mergulhar e não emergir desse universo conhecido, mas, muitas vezes, posto debaixo do tapete, que é o instinto humano.

Felizmente, deixando seus personagens em carne viva pude, com muita Curiosidade, ser conduzido ao Altar da Morte, experimentar um Sacrilégio saboroso e assim, pôr em “Cheque” o amor ao teatro. Essa arte decepante e arrebatadora.

É hora de rasgar o verbo, arrancar todas as máscaras, expor os monstros, despir a alma, pois a carne viva de nossos corpos estará exposta a tudo e a todos.

Por Fernando Santana